A falta de caminhos para combater o preconceito linguístico ainda é um problema na contemporaneidade. Essa realidade possui origem clara no conservadorismo que conserva costumes tradicionais em detrimento do bem-estar social. Assim, corrobora para esse cenário a falibilidade educacional e manipulação midiática.
Dessa forma, torna-se claro que a falibilidade educacional cristaliza o aumento do preconceito linguístico no Brasil. Isso ocorre porque, a escola como ferramenta de educação social tem o dever de instruir seus alunos sobre a formação da linguagem e sua relação com a cultura de cada região, no entanto, as instituições de ensino com seus métodos tradicionalista têm conservado uma ideologia de que existe uma maneira correta de se falar, banalizando as diferentes variações linguísticas que existe em cada parte do Brasil. Essa reflexão pode ser confirmada pelo filósofo Immanuel Kant para quem “o homem é aquilo que a educação faz dele” comprovando a falha educacional no comportamento preconceituoso das pessoas e marginalização de sotaques que ditam errados.
Além disso, pode-se citar também, que a manipulação midiática potencializa o preconceito linguístico no Brasil. Essa situação acontece, pois, os meios de comunicação como instituição social influencia nas atitudes da população por meio de novelas, propagandas etc., solidificando um imaginário coletivo de que existe uma hierarquização linguística na sociedade. Esse pensamento se opõe ao apresentado na Constituição federal, a qual determina que a produção dos programas de comunicação deve ter finalidades educativas e informativas, visto que comprova o comportamento equivocado da mídia na naturalização da ignorância coletiva quanto ao preconceito linguístico.
Diante do exposto, é necessário perceber que a dificuldade para se combater o preconceito linguístico na contemporaneidade é reflexo do conservadorismo. Para solucionar essa problemática, o governo federal deve atuar por meio do Plano Nacional de combate ao preconceito linguístico em parceria com o Ministério de educação desenvolvendo projetos nos centros de ensino que promova o conhecimento das pessoas acerca da variação linguística de cada região com a finalidade de que entenda que não existe um sotaque mais correto que outros. Além disso, esse plano juntamente com o Conselho Nacional de Autorregulamentação publicitária (CONAR) deve traçar diretrizes para fiscalizar a veiculação de propagandas que dissemine esse tipo de mensagem e ademais, aumentando a destinação de parte de seu conteúdo para esse tipo de problemática e por fim conseguir erradicar o preconceito linguístico na sociedade brasileira.