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Uso expressivo da linguagem – Denotação X conotação – Figuras de linguagem
Exercicio de fixação
Uso expressivo da linguagem - Denotação X conotação - Figuras de linguagem
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1. Niã é uma bela cidade que vive, hoje, sob regime democrático. No passado remoto, quando os senhores de terra e de escravos mandavam em tudo, um punhado de homens destemidos decidiu lutar para instituir na cidade o respeito às leis, perante as quais todos seriam iguais. A luta foi dura e sangrenta, resultando em perseguições e mortes. Quase todos os integrantes desse grupo rebelde foram executados; apenas um deles sobreviveu e conseguiu deixar a cidade dentro de um saco de aniagem. Os chefes militares aproveitaram-se da rebelião para dar o golpe e tomar o poder. Assim, durante duas décadas, reinou em Niã a paz dos cemitérios. Os donos de terra tiveram de ceder parte de suas propriedades aos novos senhores, enquanto os descontentes - que decerto os havia - nada diziam, pois qualquer crítica ao regime provocava brutais represálias. Por isso, segundo se conta, alguns mais revoltados, na ânsia de manifestar seu descontentamento, cavavam buracos no quintal de sua casa, metiam a cabeça neles até o pescoço e berravam insultos e 3impropérios contra a ditadura militar. 9Há quem afirme que 5esses gritos de raiva entranhando-se no solo fizeram nascer estranhos arbustos, de folhas afiadas feito navalhas, e que dessas navalhas se valeu a população para - numa noite de tórrido e sufocante verão, quando o céu ardia feito um tacho incandescente emborcado sobre Niã - invadir os quartéis e cortar os colhões de todos os generais e, em seguida, decapitá-los com a ajuda da tropa 1sublevada. 17Parece que, no entanto, a verdade histórica é outra: 8a rebelião teria surgido aos poucos, quando as pessoas começaram a cochichar em cozinhas e mictórios públicos, dando início à secreta mobilização que, de repente, como uma onda gigante (um tsunami), invadiu os quartéis e as mansões dos poderosos, afogando a todos. 14O líder rebelde, que se havia exilado e que voltara clandestinamente, foi quem encabeçou a rebelião do cochicho", pois com este nome passou ela à história. 12Derrotada a ditadura, o líder propôs que se instituíssem na cidade eleições livres para todos os cargos de governo, dos deputados ao governador. Criaram-se os partidos, e as eleições culminaram com a vitória do líder revolucionário. 20Ele, então, deu início a grandes mudanças - com a desapropriação de parte das terras para a reforma agrária e com mais recursos para a indústria - que fizeram crescer a classe operária e, com isso, surgirem sindicatos mais fortes. 19Emergem, então, líderes operários, que passam a atuar na vida política de Niã. Aprovou-se uma legislação que consagrava os direitos básicos dos trabalhadores. 21A cidade viveu, então, o melhor momento de sua história, com a multiplicação de escolas, bibliotecas públicas, hospitais, serviço de saneamento e proteção ambiental. 18Os anos se passaram, Niã continuou a crescer e cada vez mais rapidamente, com a migração de pessoas que até então viviam no campo ou nas cidades vizinhas. 16Esse aumento inesperado da população alterou a estrutura urbana de Niã, uma vez que, 7como cogumelos, se multiplicavam os casebres de zinco e papelão que foram brotando em torno da cidade até aprisioná-la num cinturão de miséria e violência. 15Logo apareceram políticos que se voltaram para essas áreas pobres e nela desenvolveram uma pregação oportunista que lhes valeu muitos votos. Prometiam àquela gente necessitada casas, alimentos e transporte quase de graça. Um deles conseguiu eleger-se governador, mas não teve futuro, já que o que prometera era impossível de cumprir. Pouco depois, 10um líder operário, que se destacara por seu carisma, conseguiu chegar ao poder para a euforia da maior parte da população, convencida de que, enfim, estando à frente do governo um homem nascido do povo, seus problemas seriam resolvidos. 23"Ele disse que, em seu governo, ninguém passaria fome nem moraria ao relento", repetiam os seus seguidores mais ardorosos. Mas a euforia do dia da posse não durou muito: o governador revelou-se um 2boquirroto, que mais discursava que trabalhava. 13Acostumado a criticar o governo, não se deu conta de que era, então, governo e, para o espanto de todos, clamava pela solução dos problemas como se não fosse ele o responsável por enfrentá-los. Em face disso, o otimismo popular transformou-se, primeiro, em desencanto e, depois, em irritação e revolta, enquanto o governo, para contentar seus aliados, aumentava os gastos oficiais e 4escorchava o povo com novos impostos. A revolta agravou-se com a notícia de que a corrupção grassava no governo e na Câmara de Deputados. O povo enfureceu-se ainda mais porque os deputados aprovaram novos gastos em benefício próprio. As tentativas de deter o descalabro de nada valeram, uma vez que os corruptos contavam com a complacência de seus colegas, e o Judiciário, fazendo vista grossa, não punia ninguém. Só a imprensa se negava a aceitar semelhante situação, mas as denúncias caíam no vazio. 22Parecia impossível escapar de semelhante impasse. Não obstante, nestas últimas semanas, 11correm boatos de que, de novo, nas cozinhas, nos mictórios públicos e nos mercados de peixe, 6o povo voltou a cochichar, deixando de orelha em pé os donos do poder, ainda que até agora ninguém tenha pronunciado a palavra tsunami." FERREIRA GULLAR. Folha de S. Paulo de 22 de maio de 2005. Assinale, segundo o texto, a alternativa que expõe um trecho exclusivamente denotativo:
a) "... esses gritos de raiva entranhando-se no solo fizeram nascer estranhos arbustos, de folhas afiadas feito navalhas..." (ref. 5)
b) " ... o povo voltou a cochichar, deixando de orelha em pé os donos do poder..." (ref. 6)
c) "... como cogumelos, se multiplicavam os casebres de zinco e papelão que foram brotando em torno da cidade..." (ref. 7)
d) "... a rebelião teria sugido aos poucos, quando as pessoas começaram a cochichar em cozinhas e mictórios públicos..." (ref. 8)
Marque apenas uma alternativa.
2. Leia o seguinte texto, em que a autora, colunista de gastronomia, recorda cenas de sua infância: Uma tia-avó Fico abismada de ver de quanta coisa não me lembro. Aliás, não me lembro de nada. Por exemplo, 1as férias em que eu ia para uma cidade do interior de Minas, acho que nem cidade era, era uma rua, e passava por Belo Horizonte, 2onde tinha uma tia-avó. Não poderia repetir o rosto dela, sei que muito magra, vestido até o chão, 3fantasma em cinzentos, levemente muda, deslizando por 4corredores de portas muito altas. O clima da casa era de passado 5embrulhado em papel de seda amarfanhado, e posto no canto para que não se atrevesse a voltar à tona. Nem um riso, 6um barulho de copos tinindo. Quem estava ali sabia que quanto menos se mexesse menor o perigo de sofrer. Afinal o mundo era um 7vale de lágrimas. 8A casa dava para a rua, não tinha jardim, a não ser que você se aventurasse a subir uma escada de cimento, lateral, que te levava aos 9jardins suspensos da Babilônia. Nem precisava ser sensível para sentir a secura, 10a geometria esturricada dos canteiros 11sob o céu de anil de Minas. Nada, nem uma flor, só coisas que espetavam e 12buxinhos com formatos rígidos e duras palmas e os 13urubus rodando alto, em cima, esperando… O quê? 14Segredos enterrados, medo, sentia eu 15destrambelhando escada abaixo. 16Na sala, uma cristaleira antiga com um 17cacho enorme de uvas enroladas em papel brilhante azul. Para mim, pareciam 18uvas de chocolate, recheadas de bebida, mas não tinha coragem de pedir, estavam lá ano após ano, intocadas. A avó, baixinho, permitia, “Quer, pode pegar”, com voz neutra, mas eu declinava, 19doida de desejo. Das comidas comuns da casa, não me lembro de uma couvinha que fosse, não me lembro de empregadas, cozinheiras, sala de jantar, nada. Enfim, Belo Horizonte para mim era uma terra triste, de 20mulheres desesperadas e mudas enterradas no tempo, 21chocolates sedutores e proibidos. Só valia como passagem para a 22roça brilhante de sol que me esperava. Nina Horta, Folha de S. Paulo, 17/07/2013. Adaptado. Embora tenha sido publicado em jornal, o texto contém recursos mais comuns na linguagem literária do que na jornalística. Exemplificam tais recursos a hipérbole e a metáfora, que ocorrem, respectivamente, nos seguintes trechos:
a) “corredores de portas muito altas” (ref. 4); “fantasma em cinzentos” (ref. 3).
b) “vale de lágrimas” (ref.7); “passado embrulhado em papel de seda” (ref. 5).
c) “doida de desejo” (ref. 19); “um barulho de copos tinindo” (ref. 6).
d) “mulheres desesperadas” (ref. 20); “sob o céu de anil de Minas” (ref.11).
e) “roça brilhante de sol” (ref. 22); “chocolates sedutores e proibidos” (ref. 21).
Marque apenas uma alternativa.
3. Observe o poema de Mário Quintana Tic-tac Esse tic-tac dos relógios é a máquina de costura do Tempo a fabricar mortalhas. As figuras de linguagem presentes no texto são, respectivamente,
a) onomatopeia, metáfora e eufemismo.
b) metáfora, metáfora e metonímia.
c) sinestesia, metonímia e hipérbole.
d) ironia, metonímia, catacrese.
Marque apenas uma alternativa.
4. Acerca da diferença entre linguagem conotativa e linguagem denotativa, afirma-se que:
a) A primeira se relaciona a uma significação mais restrita; enquanto a segunda se relaciona ao uso comum da linguagem.
b) A primeira se relaciona a uma significação mais ampla; enquanto a segunda se relaciona ao uso criativo da linguagem.
c) A primeira se relaciona ao uso expressivo da linguagem; enquanto a segunda se relaciona ao seu uso criativo.
d) A primeira se relaciona ao uso criativo da linguagem; enquanto a segunda se relaciona a seu uso comum.
Marque apenas uma alternativa.
5. CONSTRUÇÃO Amou daquela vez como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a última E cada filho seu como se fosse o único E atravessou a rua com seu passo tímido Subiu a construção como se fosse máquina Ergueu no patamar quatro paredes sólidas Tijolo com tijolo num desenho mágico Seus olhos embotados de cimento e lágrima Sentou pra descansar como se fosse sábado Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago Dançou e gargalhou como se ouvisse música E tropeçou no céu como se fosse um bêbado E flutuou no ar como se fosse um pássaro E se acabou no chão feito um pacote flácido Agonizou no meio do passeio público Morreu na contramão atrapalhando o tráfego Amou daquela vez como se fosse o último Beijou sua mulher como se fosse a única E cada filho como se fosse o pródigo E atravessou a rua com seu passo bêbado Subiu a construção como se fosse sólido Ergueu no patamar quatro paredes mágicas Tijolo com tijolo num desenho lógico Seus olhos embotados de cimento e tráfego Sentou pra descansar como se fosse um príncipe Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo Bebeu e soluçou como se fosse máquina Dançou e gargalhou como se fosse o próximo E tropeçou no céu como se ouvisse música E flutuou no ar como se fosse sábado E se acabou no chão feito um pacote tímido Agonizou no meio do passeio náufrago Morreu na contramão atrapalhando o público Amou daquela vez como se fosse máquina Beijou sua mulher como se fosse lógico Ergueu no patamar quatro paredes flácidas Sentou pra descansar como se fosse um pássaro E flutuou no ar como se fosse um príncipe E se acabou no chão feito um pacote bêbado Morreu na contramão atrapalhando o sábado [...] Chico Buarque. Trecho. Disponível em: <https://www.vagalume.com.br/chicobuarque/construcao.html>. Acesso em: 09 jun. 2016. As figuras de linguagem são uma forma de expressão que consiste no emprego de palavras ou expressões em sentido não usual. Em muitos casos, elas são usadas como um recurso estilístico na estrutura do texto, destacando-se por unir forma e conteúdo. Um exemplo disso está na música Construção, de Chico Buarque, ícone da Literatura contemporânea brasileira. Considerando esse uso particular figurativo, analise as proposições a seguir. A comparação e a zeugma são duas figuras de linguagem que se destacam, por exemplo, nos três primeiros versos, e criam um ambiente de expectativa que pode ser lido como o anúncio de um desastre. Do verso 9 ao verso 13, a comparação revela um estado emocional da personagem, que pode ser associado à alegria, uma vez que todos os elementos a que se compara o homem se relacionam a situações positivas, vivenciadas em bons momentos. Nos trechos “Subiu a construção como se fosse máquina” e “E tropeçou no céu como se fosse um bêbado”, temos uma metonímia e uma metáfora, respectivamente, mantendo a estrutura comparativa que predomina no texto. Nos trechos “Amou daquela vez como se fosse a última” e “Amou daquela vez como se fosse o último”, a troca do gênero do termo destacado altera o elemento da comparação, alterando também seu significado, uma estratégia que muito se repete no texto. No último verso de cada estrofe, percebe-se uma gradação que se constitui durante narrativa, ou seja, um recurso figurativo utilizado para expressar a relação inversamente proporcional entre o acidente, que cresce, e o homem, que é diminuído. Estão CORRETAS as afirmações constantes nos itens
a) III, IV e V.
b) II, III e V.
c) I, II e III.
d) I, IV e V.
e) I, II e IV.
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